O amor é um sentimento dualista, incomparável e imprevisível.
Nunca se soube a veracidade do verdadeiro sentido que emprega o verbo "amar". Talvez nunca soubemos realmente o que ele quis nos dizer ou não nos deixamos levar por tal. Uma pessoa querida por mim, uma vez me disse que eu simplesmente não conseguia confiar nas pessoas porque eu nunca dei oportunidade delas me amarem como eu realmente sou, e que como conseqüência elas também não confiavam em mim, sei que por mais bobeira que seja, esta pessoa tinha razão, e que meu ego estava preso a mim assim como meu amor estava preso apenas à algumas pessoas - eu sei disso - mas fiquei pensando comigo mesma, é melhor confiar e amar a todos ou deixar de confiar em todos e depositar amor apenas aqueles que merecem realmente?
Hoje talvez me pus a pensar e escrever sobre o devaneio que o amor nos acarreta, nos faz, nos obriga a sentir, transformando não apenas a alma, mas transformando o ser em que se forma a alma.
Quando colocamos em prática isso, no percurso do amor, concluímos que amar não significa apenas você sorrir ao lado de alguém, mas também suportar as dores nos momentos de aflição; Amar deixa de ser verbo para ser adjetivo, pois amar não é uma qualidade depositada para todos (como deveria ser); Amar então não é simplesmente se envolver com alguém, mas é compartilhar todos os momentos da vida deste alguém com carinho; Amar não se restringe em uma amizade duradoura com a pessoa querida, mas sim um laço criado por Deus, e sendo ele criado pelo ser supremo, este laço torna-se inquebrável, isto é, se você acreditar, ter fé e esperança de que ele seja; Amar não é ajudar aos que necessitam, mas ajudar a todos, independentemente de suas necessidades; Amar não significa dar um presente de luxo à alguém especial, mas dar algo de importância à esse alguém especial; Amar então não é apenas ter amor em si próprio, e sim dar esse Amor para alguém poder conseguir Amar, pois você só ama quando dá amor a um outro ser; Amar então não é apenas ser feliz, sorrir, chorar, brincar, dançar, pular, torcer, se emocionar ao lado de quem você ama, mas fazer quem você ama sentir, não as mesmas sensações, mas sentimentos próximos aquilo que você sente, sem que seja necessário dizer algo, simplesmente restrinja-se a compartilhar este algo.
Concordo em vários autores quando se referem ao amor como William Shakespeare, que diz que:
"O meu amor eu guardo para os mais especiais...
Não sigo todas as regras da sociedade e às vezes ajo por impulso.
Erro, admito. aprendo, ensino.
Todos erram um dia: por descuido, inocência ou maldade."
Assim como ele, acredito que o amor não são um bem a ser despejado à todos, e sim aos que realmente merecem por algo, merecem nossos respeito, afeto, carinho e acima de tudo, merecem ser amados por nós. Como dizia Luís de Camões:
"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,
Está no pensamento cono ideia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma."
Ele diz que o amor é algo puro, que se origina da alma, que o amor não é matéria, não é algo que conseguimos adquirir, e sim esta coisa que se dita amor consegue nos transformar, transformando a tal ponto que nos tornamos puros quando amamos. E a partir da alma transformada, buscamos da alma à matéria, forma que talvez nunca iremos encontrar, mas que estamos em uma busca eterna. E por fim, nosso diviníssimo Vinícius de Morais:
"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.
O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre."
Assim como ele, penso que a unica razão a que nos move, que nos mantém "acesos" para vida é o amor; não há amor sem ao menos ter se ferido uma vez, assim como numa rosa, você fica encantado com a beleza das suas pétalas, mas se esquece dos espinhos que as circunda abaixo, é quase impossível amar alguém sem ao menos algum dia você ter se magoado com uma pessoa querida, por mais perfeita que aquela pessoa seja, algum dia há de haver algum tipo de "espinho" que poderá te machucar, independentemente da intensidade deste ferimento.
Então, Ame para conseguir ter amor, e quando conseguir ter amor, despeje esse amor na pessoa amada, sem temer o futuro, sem temer ser machucado, sem temer o destino, simplesmente ame e você será amado, não ame em vão, não ame a toa, ame aqueles que realmente merecem, aqueles que realmente valerem a pena de se ferir, aqueles que valem a pena de sofrer, que valem a pena de construir um lar, uma família, uma amizade, um afeto, uma união, um contato, construir essencialmente a palavra amor dentro em conjunto. Pois amor sem amar não é amor, é egoísmo! Ame, ame, ame, ame, ame, ame, ame demais alguém, jogue todo o amor que você sente, pois que aí seremos luzes acesas para o mundo.
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