
Corri atrás daqueles pequenos e flamejantes corpos, que entrelassavam-se por entre arbustos, era tão bonito ver a sintonia vagando por eles, que não quis intervir, quis apenas olhar a movimentação deles. Olhei para ao redor do mundo, e vi aquela exuberante e majestosa quantidade de vida em minha volta, minhas pupilas se encolheram de tão iluminado que estava, todo aquele sentimento sublime subindo a minha mente, de maneira que eu nem sequer dei-me conta da minha realidade, fiquei feliz apenas de olhar aquele encanto me completando. Tudo aquilo poderia está fadado ao uma simples ilusória daquela mentalidade de felicidade enobrecida com aqueles verdes, mas não liguei, a cada passo que eu dava, a cada movimento que fazia, meus pés iam se fixando ainda mais na areia branda e macia, o perfume do ar percorrendo cada célula do meu corpo, mostrando-me a essência em que a existência significava, garantia em mim a simplicidade daquela meiga alegria.
Era confuso e deturpada a idéia de perfeito diante da minha visão, eu queria fazer uma completa exegese do recrudescimento da forma que ali me aparentava, mas também não os queria. Olhei para a ponta de um orvalho depositado em uma parte daquela tulipa azul, ele estava dando o brilho para a pequena planta, diante do imensurável radiante sol. Continuei com aquela minha caminhada seguindo ao além, não queria vínculo com nenhum tipo de preocupação de momento, até porque todos os meus anseios ja estavam sendo esgotados, e não me restava nenhum para preencher.
Continuei minha longa e incisiva caminhada ao inerente nada, a tarde que ja ia me dando adeus, foi aos poucos deixando comigo seu companheiro dos dias - a noite - a pertubação que carregava comigo era monótona, não saia de um único estágio, e que particularmente, eu achava patético. Não entrei em questão da minha pequena quantidade de ócio incumbida no meu eu-lírico.
Meus pés pararam de se mexer, fazendo meu coração se apertar de maneira desordenada, eu estava com medo daquela voz, virei-me devagar e discretamente para olhar o tão desconhecido que me assombrava, eu estava com medo, mas me mantive firme, de início não avistei ninguém, até que senti aqueles pequenos dedos se infiltrando sob a minha mão, segurando-me delicadamente, olhei firmemente para baixo, e observei (surpresa) cada curvinha daquele angelical rosto, ela deveria ter numa faixa de uns 5 a 6 anos, e por severos segundos tive uma tremenda repugnância de mim mesma, de temer algo tão insignificantemente dócil, ela me olhou também e mexeu os músculos de sua face, formando assim um sorriso agradável à mim e eu respondi reciprocamente.
Como ja estava de noite, eu queria voltar para casa, como se não bastasse, parece que aquela pequena criança sentiu minhas emoções, ela me segurou forte, e foi andando, me puxando para um caminho desconhecido, sem ter muito o que dizer, fui seguindo-a. Aquele ar gélido, frio e calculista percorria minha pele branda, ja não me incomodavam, eu realmente ja havia me acostumado com o ambiente, no caminho, a pequena criança parou de andar e soltou minha mão, ela me olhou e sorriu novamente e foi de encontro a outras pessoas que a esperavam felizes, me senti contente também ao ver toda aquela situação, desviei o olhar e vi recostado num tronco de árvore, de vestimentas brancas, aquele rosto familiar me olhando, o mesmo percebeu que eu estava observando-o, e veio ao meu encontro, como sempre se braços abertos e com tremendo amor dentro de si, abraçou-me de tal maneira que me senti tremendamente reconfortada naqueles braços, ele apesar de gesticular inúmeras palavras, eram poucas das quais eu conseguia entender, mas de uma coisa eu sabia, tinha encontrado um anjo de luz, o pai de todos os pais, era meu Deus, o dito Deus.
Sentei-me perto de uma pedra juntamente de sua pessoa, fui encostando meu corpo lentamente para deitar-me nela, de tão dura que ela era foi ficando macia, segurando-me até me envolver por completo, o tempo ja havia clareado, e nada mais estava escuro como antes.
Com o tempo se esgotando, ele segurou no meu punho e me puxou para que eu me levanta-se, e me levou até uma porta grande de madeira maciça, abri a porta com facilidade e me despedir dele, e da pequena criança que me observava de longe com um largo olhar de felicidade. Abri a porta e senti aquele baque no meu corpo, como se eu estivesse caído, ou coisa do tipo. Mas olhei em volta e eu estava no meu quarto, na minha cama, e aquilo que eu havia me permitido viver, não sabia se tinha sido um mero sonho, ou se foi um encontro com meu pai, meu glorioso pai. Mas de qualquer forma, acredito fielmente na hipostasia de um sonho real.
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